Adoro pela manhã, quando vou a andar pela minha rua, que para mim, é a minha rua deserta, pois apenas eu caminho nela. Depois o cheiro a chuva fresquinha, quase a evaporar, e o cheiro de laranjeiras, com o cheiro a céu e a outono, transformam-se todos num só cheiro, num único e diferente cheiro, que é tão agradável, que queríamos cheirar aquele aroma para sempre. Depois anda-se tão calmamente e tão suavemente, que quase parece que estamos a flutuar, e o dia ainda é uma criança fresca e repleta de vida.
Passo pelas velhas cuscas que talvez não gostam de se levantar cedo, mas levantam-se talvez apenas para cheirar o doce aroma da manhã, e ali ficam elas a admirar o mundo e a falar sobre as novas novidades que todos passam por lá, mas ninguém fica a saber sobre o que era.
Logo a seguir apanho o autocarro e quando estou com as pessoas, deixo este sentimento de história, e regresso à terra com a minha alma que fala com as outras pessoas, que também têm as suas histórias.